sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Santo de casa faz milagre

Retrospectiva com fatos apurados. Depois de tanta instabilidade nos anos subsequentes, enfim o Grêmio reencontra a sua personalidade nas mãos do técnico Mano Menezes, em novembro de 2005, com a chamada Batalha dos Aflitos. E a vida segue. Mesmo sem títulos de grande significado, 2006 e 2007 serviram para reafirmar a posição do clube no cenário brasileiro e sul-americano. Já 2008 manteve o status construído nos anos anteriores, nas mãos de Wagner Mancini e Celso Roth. este mesmo ficou até a metade de 2009, quando Marcelo Rospide (interino) esquentou o banco de reservas para a chegada do multi-campeão Paulo Autuori.

Nos últimos 4 anos, Paulo Autuori foi o técnico teoricamente mais qualificado a comandar o vestiário tricolor, se for contar por seus importantíssimos títulos. Mas infelizmente ele fez algo impensável, pelo menos aqui neste provinciano estado do sul do Brasil: ignorou as tradições de décadas do clube que o contratou e implantou seus métodos europeus de futebol e gestão, isolando a emoção para fora das quatro linhas e pregando profissionalismo ao invés de honra. Só que isto funciona no mundo árabe, ou em São Paulo, ou em qualquer outro lugar que se admita perder passivamente uma partida de futebol. Aqui a entrega dos jogadores (longe de serem apenas "profissionais") é muito maior - dado o exemplo de Maxi Lopez, que não desiste em uma dividida qualquer. Aliás, Maxi foi um dos únicos jogadores que não perdeu o espírito platino de jogar, assim conquistando o carisma da torcida.

Ao desafiar a cultura castelhana do jogo da bola, Autuori se deu mal com seu modelo moderno de football . Resultado: garantiu a hegemonia no Olímpico, com uma postura ofensiva e com boa técnica. Mas fora de casa se amedrontava, se encolhia, deixava-se ser domado pelo adversário. Não digo adversários de grande porte, como São Paulo ou Corinthians, mas até clubes sem qualquer tradição, novatos na divisão top do futebol brasileiro, como Barueri e Santo André. Venceu apenas do fraquíssimo Náutico, em Recife.

Já o novamente interino Marcelo Rospide mostrou outra postura nas poucas vezes em que treinou o Grêmio. Em 8 jogos - cinco vitórias, dois empates e uma derrota - mostrou que tem capacidade de liderar um clube de ponta em 2010. Além de ter este retrospecto bastante favorável, no último sábado ele foi responsável pela volta da tão louvada "Imortalidade Tricolor". O gol de Herrera, aos 46 minutos do segundo tempo, quando o Grêmio contava com apenas 9 jogadores em campo, reanimou todo o clube. Deu esperanças de um ano bom em 2010.

Ao sair de campo, vários jogadores exaltavam a volta do Estilo Grêmio de jogar: brigador, insistente e copeiro. Parecia que aquilo estava entalado na garganta deles, como se fosse proibido falar em Imortalidade na presença o antigo técnico. Falavam até em "Você Sabe O Que", mas jamais em imortalidade. O Grêmio, na mão de Paulo Autuori, virara uma empresa, uma firma, onde todos apenas trabalhavam pra depois, no fim do mês, receber o salário. E ficavam loucos pra que o expediente acabe, para ir embora.

Se o Grêmio quer voltar a ter cara de clube copeiro, conhecida pelo mundo inteiro, já sabe como deve agir. Não tenho nada contra os outros candidatos - principalmente Adilson Batista - mas acho que a pessoa mais indicada a levar o Grêmio a títulos em 2010 é Marcelo Rospide. Com uma carreira lapidada no próprio estádio Olímpico, Rospide já mostrou do que é capaz; não apenas de vitórias, mas de manter uma postura de time de verdade, com jogadores que fazem de cada jogo uma decisão. Se essa aposta virar realidade, quem sabe está nascendo um novo técnico no cenário nacional?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

APATIA DO PROFESSOR

Vivemos em um tempo onde a identidade, onde o conceito de uma Marca tem um valor maior que o valor material, cria nos consumidores uma expectativa ou satisfação, um desejo em seguir algo que você se identifica, se assemelha. Como publicitário falo com conhecimento de causa.
Alguém a de perguntar: “Porque diabos começar um post sobre futebol falando em Marca/Identidade/Conceito? ’’, no decorrer das linhas vocês irão entender.

Assim como em outros meios, alguns clubes brasileiros criaram suas identidades de jogar futebol, foi assim com o futebol arte apresentado pela Seleção Brasileira em 70, com o Flamengo e seu toque de bola musicado dos anos 80 e com a famosa Democracia Corinthiana, que misturou o futebol com atitudes políticas na mesma década.

Estilos estes que se perderam no tempo, muitos pela falta de qualidade dos jogadores, outros pela visão individualista de cada um. Mas uma escola atravessou décadas, lutou contra a visão do centro do país, onde um simples carrinho era o suficiente para tentar banir o autor deste feito do esporte, escola esta na qual a entrega, a raça e a disposição valem mais que firulas na linha de fundo.

Posso sem dúvida alguma dizer que esse jeito de jogar futebol foi introduzido no país pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, o resto da história todo mundo já sabe, títulos e mais títulos, desde os citadinos dos anos 20 até a consagração maior para um clube do esporte bretão, o título Mundial.
Esta mesma escola nos dias de hoje passa ao longe da Carlos Barbosa, da Avenida Azenha ou da Cascatinha, o atual comandante da equipe tricolor mostra não conhecer nada deste tão famoso estilo, fala que assim é seu trabalho e se alguém estiver incomodado que o retirem do cargo. O time não demonstra vontade de jogar e a torcida já está ficando sem vontade de ver. É incompreensível um time ser o melhor mandante do campeonato e ter aproveitamento de rebaixado longe do seu povo, algo deve ser mudado.

Cada vez tomo mais conhecimento que nós gremistas somos saudosistas, lembramos de um time que já foi o ideal, de um time que não desistia nunca, que jogava com a faca nos dentes, mas que hoje não passa de uma equipe com um arremedo de jogadores desinteressados, amontoados em campo, apáticos, que nem de longe lembram as grandes virtudes de outrora.

Resumindo, que seja feita uma reflexão por todos no Olímpico, que em 2010 voltem os louros das conquistas, pois, como está é difícil de aturar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Tá aí pros que duvidaram!"

Desta vez eu também estava festejando, mas não muito - nunca consegui vibrar demais com a seleção brasileira. Do outro lado do planeta, os jogadores se abraçavam, choravam, e um até pegou a bandeira do Brasil e saiu fazendo uma volta olímpica individual. Acho que era o Denílson. O Brasil tinha acabado de vencer a seleção da Alemanha por 2 x 0, sendo consagrado penta-campeão do mundo - um feito inédito na história do futebol mundial.

Tudo corria muito bem e a festa rolava solta, enquanto os alemães já se dirigiam ao vestiário. Porém, ocorreu algo que poucos se lembram. Não me recordo se foi o (cre)Tino Marcos ou o Eric Faria, mas um destes foi pedir a palavra à Luiz Felipe Scolari, no calor da hora, depois do apito final. O cara em questão se arrepende até hoje por isso. Felipão respondeu ao reporter global aos brados, apontando o dedo para a câmera e xingando toda a imprensa nacional que foi contra a ele. A produção responsável na hora não teve tempo de cortar a transmissão, assim se desculpando por falha técnica. O desabafo foi transmitido para milhões de pessoas, em diversas partes do mundo. Entre outras palavras, me lembro de uma frase que ouvi esta semana novamente: "Tá aí pros que duvidaram!" Depois, as inflamadas palavras foram abrandadas por Galvão Bueno: "O Felipão está exaltado por causa da vitória...quem não fica, amigo?"

Esta semana, esta frase foi a mais leve que Maradona desbocou em sua entrevista após a histórica partida contra o Uruguai. Tão irritado quanto Felipão ficou a 7 anos atrás, Maradona também revidou com razão à parte da imprensa argentina que o desacreditava enquanto técnico. O nível de suas palavras foi compreensivelmente baixo; ele falava com o coração, desabafava e lavava a roupa suja ali na frente do microfone. Não mediu limites pra dizer o quanto estava irritado com a imprensa argentina, que em sua maioria desacreditava na classificação para a Copa do Mundo de 2010. A formação tática, a escalação e a estratégia impostas por Diego eram sempre contestadas, sendo julgadas defeituosas pelos comentaristas especializados. Mesmo assim, ele seguiu no cargo de técnico até vencer a celeste olímpica por 1x0, com um gol de cabeça aos 39 minutos do segundo tempo, para carimbar o passaporte para a África do Sul.

Aqui, o motivo foi muito mais fútil do que maus resultados. Luiz Felipe virara um criminoso apenas por não convocar Romário para a Copa, ao contrário do que queriam a imprensa e o povo. Desafiando não sei quantos milhões de brasileiros que queriam a cabeça de um gaúcho, Scolari deixou o baixinho de fora, convocando o desacreditado Ronaldo Fenômeno. Fora isso, ainda convocou apostas duvidosas, como Marcos, Júnior, Anderson Polga e Rivaldo. Já do outro lado do Rio do Prata, Dieguito também apostou suas fichas em jogadores de menos grife, como o homem da decisão épica contra o Uruguai, o volante Mario Bolatti, do Huracán.

No dia seguinte, a imprensa deu mais destaque às declarações de Maradona do que a própria vitória da Argentina. Tudo isso pois se sentiram ofendidos com os xingamentos recebidos. Mas a vida às vezes é assim: quem fala o que quer, ouve o que não quer.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O caminho para a glória

Uma das minhas primeiras impressões reais sobre futebol foi na Copa do Mundo de 1998. Assistia um jogo e outro na clássica transmissão da Globo, além de todos os jogos do Brasil, lógico. Mas foi num sábado ensolarado de inverno, lá pelo meio-dia, que me encantei com o estilo de uma seleção. O ambiente que eu estava deve ser descrito: a casa de um amigo meu. Eu tinha 8 anos, e ele devia ter uns 16 ou 17. Na parede do quarto dele, ao lado de posters do Grêmio de 1995 e 1996, havia outros dois: um de Maradona e outro de Batistuta, pegos da revista Placar e colados com durex. Ele, no lugar da camisa celeste e branca, vestia a tricolor com a 7 de Paulo Nunes gravada nas costas, e na TV estava começando uma partida das quartas-de-final da Copa do Mundo: Argentina x Holanda.

O volume da TV era bem alto, e logo seus dois irmãos chegaram, pra completar a torcida. O forte grito de "AR-GEN-TI-NA! AR-GEN-TI-NA!" ecoava das arquibandadas francesas, entravam por seus ouvidos, se chocavam contra seus cérebros e saiam por suas bocas, em um volume tão alto quanto o de entrada. Jamais havia visto uma torcida por uma seleção ser tão forte quanto aquela. Pra aumentar a tensão do jogo, que estava super-disputado, nos primeiros minutos de jogo, Batistuta tira o zagueiro holandês do lance e manda um verdadeiro petardo na trave de Van Der Sar, sacudindo as estruturas da trave e do estádio.

O gol do excelente centroavante Kluivert não abalou a seleção argentina, que empatou com Cláudio Lopez. Este gol eu me lembro até hoje, pois vibramos (sim, eu já havia virado argentino naquela hora) como se fosse um gol do Grêmio. O jogo ficara mais emocionante a cada minuto que passava, pois de um lado, enquanto os atacantes holandeses desperdiçavam gols como água, no outro Van Der Sar executava verdadeiros milagres, levando ao desespero Batistuta e nós quatro. Depois de tanta peleia, já na prorrogação, Dennis Bergkamp decidiu a partida, calando toda a torcida argentina, inclusive nós. A Holanda foi para as semi-finais, sendo derrotada nos pênaltis pelo Brasil de Taffarel e Ronaldo, destaques daquela partida.



Depois daquele jogo, comecei a ter um apreço incrível pela seleção argentina. Comecei a ser fã de certos jogadores, como Crespo, Simeone, Verón, Ortega, e os próprios Batistuta e Lopez. Além disso, após a goleada sofrida pelo Brasil contra a França contribuiu ainda mais para eu trocar uma pela outra. Boca Juniors e River Plate me pareciam muito mais incríveis que qualquer Corinthians ou Flamengo. Tornei-me um verdadeiro torcedor argentino e anti-seleção-brasileira. Gostava muito dos carrinhos violentos e do futebol com garra platina, ao contrário das firulas e do futebol-arte tupiniquins, que eu achava ridículo e nada produtivo.

Assim penso até hoje: considero o estilo do futebol argentino um dos melhores do mundo, um estilo que Maradona ainda tateia e procura até hoje. Agora ele deve estar tremendo, super-concentrado para a partida de logo mais à noite. Mas, se ele ler este texto, vai saber que estou torcendo a seu favor. Todos os argentinos e todos os brasileiros que admiram a Argentina devem jogar juntos esta noite, pois uma Copa do Mundo sem uma seleção de tal magnitude não terá brilho. Esqueçam o já inválido jogo entre Brasil x Venezuela, e vistam a camisa celeste e branca. Este jogo vai ser imperdível.

URUGUAI x ARGENTINA
ESTÁDIO CENTENÁRIO - MONTEVIDÉU
Hoje, 14 de outubro, às 19h00
Ao vivo, no canal 38 - SporTV2



ps. Torço por um empate, para o Uruguai também ir para a Copa. Também os admiro muito. Mas assim, o Chile deve vencer o Equador, lá em Santiago.

domingo, 11 de outubro de 2009

Marge by Playboy

Ei, você! Sim, você mesmo, cara! Você que já desfolhou uma Playboy, nem que fosse na sala de espera de um consultório dentário. Sim, a revista-símbolo do universo masculino - muito mais que a Men's Health, a Quatro Rodas ou a Placar - está de volta com mais uma beldade tirada das telinhas para te fazer companhia nos momentos mais íntimos.


Não é Pamela Anderson, que já estampou centenas de páginas grudadas por adolescentes, nem Carolina Dieckmann, que acha seu corpinho sexy demais pra aparecer nu em uma revista. A celebridade em questão é muito maior que estas duas, se comparar pela altura do cabelo, e muito mais sensual. O nome dela? Vocês já conhecem: MARGE SIMPSON!

Pois é, minha gente. O magnata do coelhinho engravatado, mr. Hugh Hefner, decidiu extrapolar os limites da sua imaginação. Então, firmando uma parceria com Matt Groening - criador do seriado mais famoso do mundo -, fez com que a insegura e recata mãe de família norte-americana tirasse a roupa e fizesse mostrar sensualmente cada centímetro amarelo de pele que lhe foi desenhado. Esta novidade faz a capa da Playboy USA de novembro de 2009 ir pro hall das mais famosas de sua história, e muito provavelmente também das mais vendidas.

O sucesso desta edição é muito mais que assegurado, pois o que tudo indica é que muitas mulheres também comprarão esta edição, por considerarem Marge um símbolo da feminilidade americana, assim como para as nossas mulheres, a dona Nenê Silva pode representar. Além disso, nada é mais óbvio que a grande maioria das revistas compradas irão parar nas mãos do barman Moe.

ps. Pra quem não gostou da história, saiba que haverá também ensaios de coelhinhas nada fictícias nesta edição, mas que não vão ofuscar o brihlo da nossa heroína Simpson.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Persuasão

Falei a uns posts atrás sobre aquela velha história dos meios de comunicação, deles mexerem com a cabeça das pessoas e tal. Até citei o exemplo do rádio, contando histórias atuais e de outras gerações. E eu não fui o primeiro a constatar que outro meio que também tem este dom persuasivo é a publicidade. Sobre manipulação de mentes alheias, os melhores profissionais nesta área são os publicitários e aquele padre ou mágico que fecha os olhos das pessoas, e diz com sotaque carregado "dorme, dorme, dorme, dooorme...".

E está provada mais uma vez esta teoria, pois chegou em minhas mãos (ou no meu monitor) um comercial excelente com o título de "O Pior Emprego do Mundo". Comecei a assisti-lo curioso, pois era aparentemente bem produzido. Mas o que mais me chamou a atenção foi que o personagem principal falava em bom e claro português, enquanto na parte de baixo do vídeo rolava uma legenda em inglês, algo raro de se ver! O viral foi feito para a agência de empregos (talvez fictícia) Dream Job. O melhor de tudo foi ver eles mostrarem que possuem à disposição os melhores empregos, mas com uma visão muito bem-humorada. Méritos especiais ao ator cara-de-pau, que interpretou muito bem o papel de massagista de modelos. Genial modo de persuasão.

Curtam aí!
Falou!

Dica do post: Gabriel Marquez


sábado, 29 de agosto de 2009

Vitrola do Gênios

Garanto que você - pelo menos uma vez na vida - pensou em querer se esconder, sumir por uns tempos, deixar de ver os mesmos rostos de sempre e respirar novos ares. O sufoco da rotina é tão grande que nos faz realmente sempre procurar algo novo, deixar de conviver com a mesmice e criar aqueles pensamentos ditos "rebeldes" de abrir mão de tudo o que possui e "partir pra outra", começando tudo do zero.

Na melancólica noite de 23 de agosto (como todas as noites de domingo são), eu escutei de longe a matéria que rolava no Fantástico sobre o sumiço do cantor e compositor Belchior. Foram criadas inúmeras hipóteses de seu desaparecimento naquela reportagem, desde dívidas a pagar até brigas familiares; o número de suposições equiparava-se ao de teorias sobre o surgimento do Universo. Transformaram o fato em um caso de polícia, e as imagens do célebre artista estampavam as telas como as de um bandido fugitivo. Pra piorar, só faltava a voz do Datena dizendo "Põe esse vagabundo na tela, Latino!". Ainda bem que era na Globo.

Se você realmente foge do lugar que sempre sonhou fugir - e estampar esta utopia em várias letras de músicas -, certamente você irá para um lugar onde ninguém irá achá-lo. Porém, como às vezes a natureza humana é limitada para compreender certas coisas, a emissora se fantasiou de cavaleira templária e transformou o desaparecimento de Belchior em uma caça ao Santo Graal (leia-se "audiência"). O assunto, tirado da manga de algum editor de jornalismo da Globo, rendeu por vários meios de comunicação a semana inteira; visibilidade para a emissora, e posteriormente para o super-escondido artista. Mas simplesmente esqueceram que o dito cujo almejava apenas ter um pouco de descanso, e nada de flashes e câmeras à sua volta.
O mais genial (ahn?) de tudo foi que a Globo sequer pensou na posição de Belchior, que estava devendo para Deus e todo mundo, e simplesmente desembestou à uma fuga escancarada. Assim, depois de determinada busca, acharam o sábio nordestino escondido atrás de seu indefectível bigode, na cidade uruguaia de San Gregorio de Polanco. Ótimo para quem tem uma boa grana a receber do compositor, excelente para o "jornalismo investigativo" das redes de televisão. Tudo bem, Belchior também voltou para a mídia depois dessa matéria, mas seria muito mais interessante que a televisão não criasse esta novela sobre tal assunto, pois mexe acima de tudo em interesses pessoais.
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Outro rebelde que se despediu por estes dias foi Noel Gallagher, em pleno Rock In Seine, em Paris. Tão gênio e tão "do contra" quanto Belchior, ele portava juntamente com seu irmão Lian a bomba que poderia a qualquer hora destruir o sensacional Oasis. Esperou um lugar adequado - a beira do rio Sena - e um momento imprevisível, minutos antes de um show importantíssimo. A bomba acabara de explodir, deixando seus rastros: Choro de fãs, desespero ou apenas resignação. Os Oasis, que ameaçaram parar sempre a qualquer momento, decidiram enfim partir.

Mas, como todos os gênios, Noel Gallagher e Belchior podem voltar aos braços de seus fãs a qualquer momento, imprevisivelmente - já que um dos principais valores de um gênio é ser fantasticamente inesperado. Assim, brincando com a mente de milhares de pessoas, eles ainda mantém uma pequena chama de esperança dentro de tantos e tantos admiradores espalhados pelo mundo afora.

E por serem tão rebeldes e excêntricos, Belchior e Oasis são os destaques do Vitrola desta vez! Respectivamente, as respectivas obras "Tudo Outra Vez" e "Don't Look Back in Anger" vão levá-los à outro mundo. Não apenas as letras das canções são sensacionalmente belas, como a produção de cada videoclipe não deixa a desejar em nenhum momento. Sem qualquer "truque" tecnológico, o diferencial destes registros é fazer enxergar a vida de uma maneira diferente, mas apenas por alguns minutos. Já que, quem enxerga a vida de uma maneira diferenciada sempre não é um mero mortal como nós. É, na verdade, um gênio.